A Igreja vive agora o tempo do Advento. Ele marca o início de um novo ano litúrgico, ou seja, um novo ciclo no qual celebraremos, à luz da Palavra, todos os feitos salvíficos operados por Deus em Jesus Cristo. Mas será que é somente este o seu propósito – que por si só já é grandioso? Qual é o sentido real do Advento?
Advento significa “o que está para vir”. Logo, este tempo representa, para toda a Igreja, a vivência do mistério da espera e a preparação da vinda de Cristo. Com quatro domingos, este tempo começa no domingo após a Solenidade de “Cristo, Rei do Universo” e segue até as primeiras vésperas do Natal de Jesus. Nas primeiras semanas, celebramos a espiritualidade da espera da segunda vinda de Cristo, definitiva e gloriosa, no final dos tempos; depois a preparação para as solenidades de Sua primeira vinda, o Natal.
Este tempo costuma ser lembrado por sua simbologia, que ajuda o povo de Deus a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Um dos principais é a coroa do Advento, feita de galhos verdes entrelaçados, com quatro velas que representam cada semana. Ela fica no presbitério e, a cada domingo, uma vela é acesa.
Como na Quaresma, a liturgia do Advento adota a cor roxa, em sinal de conversão na preparação para a festa do Natal. A única exceção é o terceiro domingo, o Domingo da Alegria ou Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, para exaltar a alegria da vinda do libertador que está próxima, referida na segunda leitura: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto”. (Fl 4, 4).
No mais, deve-se celebrar o Advento com sobriedade e discreta alegria. Não se canta o Glória, para que, na festa do Natal, em união com os anjos, entoe-se este hino como algo novo. O próprio Diretório Litúrgico da CNBB orienta que se use flores e instrumentos com moderação, para que celebre-se a plena alegria do Natal no tempo oportuno.
Acima de tudo, o Advento ensina sobre o mistério da salvação, e a se ter Jesus como referência e fundamento, a ponto de “perder” a vida em favor do anúncio e da instalação do Reino de Deus. É tempo de espera e esperança, de atenção e vigilância. E é preciso que cada cristão se prepare alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita para a chegada de seu noivo.
Nesta feliz espera, tenhamos como exemplo a Virgem Maria e São José, que com humildade disseram “sim” ao projeto de Deus e gestaram o Seu Filho; e também São João Batista, o último dos profetas, aquele que conheceu Jesus e, também de forma humilde, renunciou-se a si próprio para apontar o Cordeiro de Deus e convidar à conversão.
Que, pela chegada de um tempo ainda maior, renovemos nossa esperança neste Advento. Deus abençoe você!
Por Lucas Vieira
