16/09/2016

O que é ser um Ministro da Sagrada Comunhão Eucarística?

É de conhecimento comum que o papel do ministro é zelar pelo Corpo Santo de Jesus que se faz presente na Eucaristia e ministra-lo aos doentes, que são incapazes de participar da celebração eucarística. Porém, quando se fala desse ministério, surge uma realidade “contraditória”. Para explicar essa realidade, preciso narrar brevemente uma experiência que Deus me levou a viver no cotidiano.

Estava na sacristia aguardando o início da missa, onde serviríamos eu e mais uma ministra, quando um dos membros do ministério de música ao entrar na sala e ver o sacrário, disse para minha colega ajoelhada diante d’Ele: “Cuide bem de Jesus!”, ela prontamente respondeu rindo: “É mais fácil o contrário acontecer”. Nesse instante, Deus me fez refletir sobre algo que eu já partilhava com algumas pessoas, que é a “contradição” do Ministério da Sagrada Comunhão Eucarística, pois ao mesmo tempo em que o ministro “cuida” de Jesus, na verdade o ministro é cuidado.

Levar o Corpo e Sangue de Jesus não é, e nem deve ser, um ato rotineiro na vida de quem exerce esse ministério, muito pelo contrário, é sobrenatural. É impossível carregar Jesus junto ao peito durante o percurso até um doente e permanecer igual. “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,8). O ministro, mesmo com suas falhas pessoais, carrega junto ao peito o próprio Amor, portanto seu ministério só tem sentido e fecundidade, quando ele permite que esse Amor tome seu coração. É fundamental nessa missão amar muito. O ministro precisa ser um sinal de amor à Deus e do amor de Deus.

Ser sinal de amor à Deus se traduz em um amor ferrenho à própria Eucaristia, é necessário um exame de consciência de todos os que exercem esse ministério. É muito triste ver àquele que é responsável por zelar pela Eucaristia, tratando com desleixo o próprio Corpo de Jesus, tanto nas filas de comunhão, como na purificação dos vasos sagrados. Em consequência do amor à Deus, o ministro se torna sinal do amor d’Ele agindo de maneira semelhante à Nossa Senhora ao visitar Santa Isabel, levando Jesus ao encontro do doente.

Resumindo, ser ministro é deixar-se tomar pelo amor de Deus, para que se ame incessantemente a Eucaristia e se consiga tratar com amor àqueles que Deus nos confia. Lutando assim, para que o sobrenatural desse ministério NÃO se torne “comum” aos nossos olhos.

Por: Caio Maria Cavarzan

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