Oração do filho

Oi, Senhor! Estou aqui. Estou aqui em oração. Quero Te agradecer. Quero Te agradecer pela minha família. Meu pai, minha mãe. Meus maiores amores. Quero Te agradecer por ter me feito nascer numa família tão legal. Sei que não pude escolher, mas, se pudesse, seria a mesma. A mesma mãe. O mesmo pai.

A gente briga de vez em quando. Sou meio impaciente. Às vezes, um pouco insensível. Não sei porque muitas vezes não consigo dizer o que gostaria. Tenho vontade de chegar para o meu pai e dizer a ele o quanto eu o amo. E não consigo. Tenho a vontade de fazer a mesma coisa com a minha mãe, mas, sei lá, às vezes parece estranho. Gostaria muito de fazer isso. De ser mais carinhoso. Eles merecem. São tão especiais.

Vejo meus amigos reclamando da falta de atenção dos seus pais. Tenho amigos que não têm pai. Outros, que não têm mãe. Outros, que têm os dois, mas não têm nenhum. Vão crescendo sem afeto, sem cuidado, sem presença. E é difícil viver assim.

Só tenho de agradecer. Minha mãe é a mãe mais carinhosa do mundo, pelo menos para mim. É linda. Adora quando faço um elogio. Ela cuida de mim com tanto zelo. Repara em cada detalhe. Participa da minha vida. Permite-me ser eu mesmo, não exige mais do que eu posso dar. Ela é cúmplice das minhas dores. É especial. Meu pai é supersimples. É meu referencial. Nunca grita, aliás, nunca eleva o tom da voz. E uma coisa que eu acho linda é o amor entre os dois. São românticos. Um vive querendo agradar o outro.

Os dois se mostram preocupados com o que estou aprendendo. Não exigem que eu seja o melhor aluno da sala, não querem exibir os meus conhecimentos aos outros. Contam-me que também tiveram dificuldades na escola, que também sentiram medo de não dar certo na vida, que conseguiram superar os problemas e que continuam aprendendo o tempo todo. É muito bom aprender com eles. Muitas vezes, eles tiram as dúvidas que eu tenho; outras, pesquisam comigo. E o legal é quando posso ensinar alguma coisa para os dois. Sinto-me muito feliz. Eles têm a humildade de aprender com o filho.

As crises de moleque ficam mais fáceis. Em casa não há máscaras, e eles sempre me deixaram à vontade para falar de todas as minhocas da minha cabeça. Coisas que a gente ouve na escola, na rua. Eles dão uma enorme abertura para que eu possa perguntar e, muitas vezes, retrucar.

Quando eu tenho de chorar, choro. Choro no colo de um ou de outro. Choro de amor não correspondido. Choro porque tenho a sensação de que o mundo vai acabar. O legal é que sou homem e posso chorar, e meu pai não me recrimina por isso, porque, aliás, eu mesmo já o vi chorando várias vezes. E sei que ele é homem, um grande homem.

Senhor, sou jovem. Tenho lá meus problemas, minha rebeldia. Mas quero Te pedir uma coisa. Que eu nunca abandone meus pais. Não quero jamais perder o amor e o carinho que tenho por eles. Nós somos uma família e tanto. E eu quero Te pedir que a gente fique junto pra sempre, nessa e na outra vida. E que as outras famílias do mundo possam ser legais como a minha. Só assim o mundo vai ser melhor. Se os pais não amarem seus filhos, se os filhos não curtirem seus pais, não sei o que vai acontecer. E como o mundo foi criado para fazer felizes a todos, que as famílias possam ser tocadas em seu coração e compreender que o caminho da felicidade começa no amor, passa pelo respeito, pela amizade, pelo limite e termina… bem, acho que não termina nunca, porque o que começa com amor não pode ter fim.

Senhor, abençoa meus pais.

Amém!

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