Oração da Mãe

Eu fui escolhida por Ti, Senhor! Fui escolhida para gerar vida, para ser mãe. Fui escolhida como instrumento de um milagre que acontece milhares de vezes, todos os dias, em todos os lugares do mundo. E que ao mesmo tempo é único. Cada nova criatura é única. E isso me faz muito feliz!

Lembro-me da minha gravidez. Dos últimos meses. Lembro-me quando ficava ansiosa, pensando que amaria tanto a nova criaturinha que estava crescendo em mim. Eu já sabia que tudo na vida seria diferente. E foi. Sempre fui uma mãe atenta. Cada detalhe. O primeiro abraço, e eu ainda um pouco sonolenta da anestesia. A primeira amamentação. E eu me dando. Doando um pouco de mim àquele que de mim saiu. E o primeiro banho. E o engatinhar. E as primeiras palavras. E o primeiro tombo. E as risadas. E os choros. Com o tempo passa! Parece que foi ontem. E eu vivi a intensidade de todos esses momentos.

Lembro-me do primeiro dia de aula. Ele todo arrumadinho. E um aperto no meu coração ao ter de ir embora. Mas fui junto. Fui buscar depois. Estudei junto todo esse tempo. Contei histórias. Ouvi histórias. Deitei junto na cama para fazer dormir. Acalentei tantas vezes em meio a dores que surgem no corpo e na alma. Chorei. Chorei junto quando a primeira namorada disse que não dava mais. Para ele, para o meu filho, o mundo parecia acabar ali. Entendi o seu sofrimento. Sabia que ia passar. Mas sabia também que tinha de respeitar aquele momento. Sofri junto nas primeiras derrotas, mas soube ensinar que a vida é recheada delas e que é preciso ser inteligente para aprender suas lições.

Aplaudi peças meio sem graça, que ele fazia com os amigos. Cuidei para não ficar próxima a ponto de sufocar, nem tão distante a ponto de abandonar. Aprendi o caminho do meio-termo. Senti-me tantas vezes sozinha; outras, cheia de ciúmes, quando o via sair com os amigos e me deixar em casa. Meu filho já não era meu. E eu tinha de compreender que a vida que surgira da minha vida tinha o direito de construir sua história. Tentei não falar demais. Tentei ensinar pelo exemplo e estar aberta para ouvir. Nunca quis transformá-lo no primeiro lugar. Meu sonho sempre foi ajudá-lo a ser feliz.

Não poupei abraços e beijos. Não poupei brincadeiras. Como era bom rolar no tapete da sala. Inventar e reinventar histórias, e ouvir dele que começasse tudo de novo. A mesma história. A repreensão, quando mudava, aqui ou ali, alguma coisa da trama. Que tempo bom. E os preparativos para as viagens. Viagens curtas, mas repletas de expectativas. Os aniversários. Os bilhetinhos que eu recebia em cada Dia das Mães. Guardei todos. As festas natalinas. A Páscoa. O Carnaval. Tudo passou tão depressa. Mas como foi bom!

Hoje ele segue sua história. É lindo. Inteligente. E um homem de sucesso. E mais do que tudo isso, é feliz. E posso testemunhar que todo o amor partilhado não foi em vão. A semente plantada com carinho, regada com cuidado e atenção, não pode fazer brotar ervas ou pragas. No jardim da vida, dei a minha contribuição. E valeu a pena. E vale a pena. Hoje não o vejo com a mesma frequência dos idos tempos de sua infância. Mas sei o quanto ele me ama e pensa em mim. Sei o cuidado que tem comigo. Acha que eu virei criança. E juntos ainda conseguimos chorar e rir. E nos respeitamos. E o fruto do meu amor espalha amor por todos os lados.

Obrigada, Senhor! Eis a minha oração. Nada tenho a pedir. Só quero agradecer. O milagre da vida continua a iluminar os meus dias, e, a cada novo dia, eis-me aqui, pronta para viver. Ofereço-te a certeza de que viverei com a mesma intensidade, todos os meus dias, até o momento da plena felicidade de estar face-a-face Contigo.

Amém!

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